Você sabe a importância que do glicogênio para os
praticantes de musculação e atividade em geral? Sabe o que é o
glicogênio e como funciona em seu organismo?
Todos frequentemente ouvimos falar sobre o glicogênio em
atletas, na atividade física ou até mesmo na vida. Isso tudo já mostra
certa relevância deste composto para não só a prática de atividades
físicas, mas para a vida.
Quem nunca ouviu alguma frase do tipo: “Você deve exaurir seu
glicogênio muscular…” “As reservas de glicogênio devem estar baixas para
começar a ocorrer a lipólise…” “Seu corpo necessita de glicogênio como
fonte de energia nos períodos de jejum.” etc? – Muito se fala sobre esse tal glicogênio na literatura popular e científica. Mas, afinal, o que é o glicogênio?
Hoje, vamos entender brevemente quem é esse tal de glicogênio e exemplificar seu metabolismo básico,
aplicando-o à prática e demonstrando algumas formas de manipular esse
estoque para assim obter bons ganhos dentro do esporte.
O que é o Glicogênio?
Definição básica: Glicogênio é uma das formas de
armazenamento de energia para algumas espécies (animal) como o ser
humano. Diferente dos vegetais que tem como forma de armazenamento
energético, o amido, por exemplo, o Glicogênio sintetizado pelos animais
é resultado da ligação de moléculas de glicose, gerando melhor
estabilidade e gerando melhor forma para seu armazenamento.
O Glicogênio, um homopolissacarídeo é uma estrutura ramificada que
apresenta essas ramificações a cada 6 ou 12 moléculas de glicose, um dos
principais fatores que o difere da amilopectina.
[ad#2]Tipos de ligação entre as moléculas de C6H12O6 para formação do glicogênio: α1-4 (cadeia linear) e α1-6 (Ramificações).
Essas ramificações permitem que o glicogênio seja mais bem
aproveitado nos momentos que for necessário seu uso, além de que, nosso
corpo possui estruturas e enzimas especializadas para tal estrutura.
O metabolismo
Como quase toda estrutura no corpo, o glicogênio pode sofrer
processos anabólicos, ou seja, de síntese ou processos catabólicos, de
degradação. Isso permite uma regulação endógena de acordo com as
necessidades fisiológicas e com a disponibilidade momentânea de energia
pelo indivíduo. Ao menos que o mesmo sofra de alguma patologia como a
diabetes, esse mecanismo é extremamente bem processado pelo corpo, mas,
ao mesmo tempo pode transformar-se em uma faca de dois gumes, visto que
através do excesso de energia disponível, poderemos convertê-la em
gordura e, através da falta brusca de energia, poderemos gerar prejuízos
ao corpo, causando problemas tais quais a hipoglicemia, que facilmente
pode afetar glândulas importantes como a tireóide.
Esses dois processos são conhecidos respectivamente como glicogênese e glicogenólise.
Glicogênese: É a síntese do glicogênio. Acontece quando estamos em momentos onde há excesso de glicose no sangue (momento pós-prandial).
Durante os momentos em que disponibilizamos energia ao corpo, a
sinalização hormonal implica em síntese de glicogênio tanto hepática,
quanto muscular.
Hormônio principal sinalizador: Insulina
A partir da entrada de glicose nas células dependentes de insulina
através, principalmente do GLUT-4, começa o processo de glicólise.
Porém, quando há excedente dessa glicose a Glicose 6-P é convertida em
Glicose -1-P pela enzima fosfoglicomutase e então neste momento entra a
ação da Glicogênio Sintase que é a primeira enzima para início da
glicogênese. Ela ligará as moléculas na ligação α1-4 nas cadeias
lineares. Em contrapartida, entrará a enzima ramificadora do Glicogênio,
ligando algumas estruturas de glicose em ramificações na cadeia linear,
formando as ligações α1-6.
Armazenamento do glicogênio pode ser:
- Hepático, para controlar e fazer a manutenção glicêmica dos tecidos do corpo, em especial o nervoso que é dependente de C6H12O6.
- Muscular, contribuindo apenas para a atividade de
contração muscular. Porém, na glicogenólise, pode ocorrer a saída de
moléculas de glicose LIVRE, indo para o sangue. Mas isso, acontece em
quantidades mínimas.
Glicogenólise: Consiste na degradação do glicogênio.
Isso nada mais é do que o desligamento das ligações glicosídicas entre
moléculas de glicose, gerando compostos que não precisam ser
necessariamente a glicose livre (mas também pode ser). Isto acontece em
momentos em que o corpo carece por energia (geralmente no jejum).
Um belo exemplo de momento onde ocorre a glicogenólise é durante a atividade física (aeróbia e anaeróbia) onde os primeiros estoques de glicogênio muscular já
são logo recrutados e, posteriormente, diminuindo esses estoques,
começam então a entrarem na via energética, outros compostos vindos de
alguns aminoácidos ou de estoques de lipídios.
Entretanto, falando especificamente da musculação, podemos citar a
principal via como sendo ainda a glicolítica, pelo baixo volume de
treinamento.
Hôrmônio principal sinalizador: Glucagon
Assim, a primeira enzima a agir é a glicogênio fosforilase,
adicionando a molécula de P nas moléculas ligadas que formam o
glicogênio. Assim, teremos posteriormente a ação da Fosfoglicomutase,
colocando o P do carbono 1 para o carbono 6 da glicose e por fim a
glicose-6-fosfatase, presente em diversos tecidos, menos no músculo,
liberando então a glicose livre que entrará na glicólise, para gerar
ATP. No músculo por sua vez, a glicose-6-fosfatase não existe, então, a
glicose-6-p entra na glicólise Krebs já fosforilada.
Em ambos os órgãos, vale lembrar da Enzima desramificadora do
glicogênio que é a responsável por retirar as cadeias α1-6 e ligá-las na
cadeia linear de ligações α1-4 dando continuidade a degradação do
glicogênio.
É, depois disso tudo bastante importante lembrarmos que as vias não
ocorrem simultaneamente justamente pela ação da sinalização hormonal.
Normalmente, a insulina circulante é quem domina o metabolismo e, o
glucagon apenas é realmente efetivo quando há níveis baixos de insulina,
podendo então realizar suas sinalizações celulares necessárias.
Qual a importância do glicogênio?
O glicogênio querendo ou não é a primeira forma de
energia armazenada buscada pelo corpo para executar suas tarefas. Com
isso, parece claro que, quanto maior forem os estoques de glicogênio,
melhor será, por exemplo, para quem busca o aumento da massa muscular magra e pior, ou mais demorado será para quem deseja perder gordura corpórea
Sendo assim, saber manipular os estoques de glicogênio é fator fundamental para 3 grandes benefícios:
Promover a lipólise (principalmente para quem está em processo de perda
de gordura corpórea), promover o anabolismo muscular (lembre-se que o
músculo armazena glicogênio e isso ajuda na volumização do mesmo, tanto
porque cada molécula de glicogênio atrai 2 ou 3 de água juntamente) e
também para evitar o catabolismo muscular.
Mas vamos falar um pouco de cada uma dessas manipulações para que possamos entender como fazê-las.
Em primeiro lugar, é importante ter em mente que o glicogênio em
qualquer fator é importante. É importante para a vida, pois através dele
mantemos a glicemia no período de jejum, é através dele que conseguimos
ficar períodos em jejum (também) e assim por diante. Na sua falta,
outras vias serão ativadas para geração de energia, seja por corpos
cetônicos, através de lipídios ou de aminoácidos cetogênicos (ou
glicocetogênicos), ou por gliconeogênese que é a formação de moléculas
de glicose através de compostos que não são carboidratos,
como aminoácidos e, novamente lipídios. A princípio, já parece bem
propenso imaginar que não teremos um ambiente nada anabólico sem
glicogênio ou, pelo menos sem estímulos para a síntese de glicogênio
para quem busca o aumento de massa muscular, não é mesmo? Claro que os
estoques máximos de glicogênio são variáveis, visto o nível de
atividades do dia-a-dia, mantendo assim uma dinâmica metabólica.
Entretanto, quanto maior for essa síntese, então provavelmente, maior
será a chance do anabolismo, propriamente dito, acontecer.
A musculação de alta intensidade ocorre
exclusivamente em vias glicolíticas e é por isso que justificamos o fato
de um treino intenso exaurir parte ou quase todo o glicogênio muscular.
Óbvio que treinamentos tensionais terão uma menor depleção de
glicogênio, mas isso, já é outro assunto…
Mas, se seguíssemos ao pé da risca, então deveríamos ter pouco
glicogênio disponível para queimar gordura, não é mesmo? Sinto lhe
dizer, mas não necessariamente. É indiscutível que a queima de gordura
envolve sim certa depleção de glicogênio, mas esse não é o único meio
para metabolizar essa gordura. Outros fatores como a aerobiose, a
entrada de compostos na mitocôndria e a oxidação de ácidos graxos também
devem ser largamente levados em consideração. Isso, por exemplo,
injustifica o exercício físico em jejum, mesmo se o objetivo for perder
gordura. Tanto porque, a oxidação pelo exercício físico continua
ocorrendo após a atividade física. E, claro, o consumo energético
também.
Para que possamos realizar atividades físicas de maneira intensa e
adequada com o máximo de intensidade, é imprescindível que nossos
estoques de glicogênio estejam abastecidos. E, para que isso ocorra,
demoram cerca de 48 horas, a depender do indivíduo e da intensidade na
qual a atividade física foi anteriormente realizada. Logo, esse é um dos
motivos que na musculação recomenda-se repousar cerca de 48h para cada
grupamento muscular trabalhado. Como dito, esse descanso pode sim ser
maior, mas, dificilmente será menor. – Então, suplementos que prometem
por aí a síntese de glicogênio em 2h, já podem facilmente ser excluídos
de sua lista de compras, não é mesmo? Superar leis bioquímicas é um
pouco exagerado…
Sem níveis estáveis de glicogênio na atividade, o corpo sim terá
reservas e vias alternativas para a produção de energia momentânea e a
longo prazo, como o lactato e a degradação de triacilglicerol. Porém, a
prazos elevados e hábitos da realização de atividade física sem o devido
teor glicídico no corpo, os prejuízos podem ser acarretados a grande
escala, por isso, MUITO cuidado com a alimentação.
Outro ponto importante quando falamos do glicogênio é referente a
alimentação nos diferentes momentos. Alimentos com alto teor de
glicídios simples ou relativamente simples são obviamente muito mais
facilmente digeridos pelo organismo, o que favorece uma reposição mais
rápida de glicogênio. É o caso, por exemplo, da maltodextrina que é um
carboidrato oligossacarídeo normalmente usado no pós-treino,
justamente por sua rápida absorção e, consequentemente pelo estímulo de
síntese de glicogênio mais rápido que ela gera. Entretanto, alimentos
com alto teor de glicídios complexos possuem uma digestão mais
lentificada, resultando então em um estímulo a ressíntese de glicogênio
gradual, justamente por sua, óbvia, digestão gradual. Isso favorece para
seu consumo nos outros momentos do dia, prezando para que esses
glicídios não “saturem” as reservas de glicogênio e consequentemente
sejam convertidos e armazenados em forma de gordura.
Além disso, glicídios simples normalmente tem alto índice glicêmico,
liberando grandes quantidades de insulina que, como vimos é fator
fundamental para o estímulo a síntese de glicogênio, no processo
anabólico.
Como vimos, o glicogênio desempenha diversas funções indispensáveis
para a manutenção da vida e para o bom desempenho físico. Assim, saber
como dosar os teores quantitativos e qualitativos na alimentação é uma
peça chave para atingir bons resultados seja qual objetivo for o seu.
FONTE: Marombapura.blog.br
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