A alimentação e os suplementos dos lutadores de MMA


Por Alexandre Matos

Um esporte tão complexo como o MMA requer preparação de verdadeiros superatletas de seus praticantes em alto nível. Por serem submetidos a um treinamento intenso e de alto impacto, os lutadores precisam estar bem preparados para suportar toda a carga imposta por treinadores e preparadores físicos. Para isto, além de descanso apropriado, a alimentação tem um papel fundamental no desempenho destes atletas.
Para explicar melhor como funciona o complemento da alimentação dos lutadores, conversamos com a Dra. Gabriela Zugliani, Nutricionista Ortomolecular e Esportiva que trabalha com alguns atletas profissionais de MMA no Rio de Janeiro. Ela explicou quais tipos de suplementos alimentares são comumente indicados para os lutadores e porque estes produtos são importantes para administração em conjunto com a alimentação tradicional.
“Com a suplementação, há uma melhora no desempenho e um equilíbrio no estresse físico e mental gerado pela competição. A quantidade necessária destes macro e micronutrientes para um atleta realmente é grande e a demanda energética é muito alta. É preciso complementar a alimentação com suplementos, pois não há como ingerir uma quantidade tão grande desses nutrientes sob a forma de alimentos.”
Para começar então, o líquido mais precioso da natureza. “Dois litros de água por dia é geralmente suficiente para eliminar as proteínas em qualquer atleta”, diz Zugliani. “A quantidade de água que você toma é necessária para manter um metabolismo elevado da proteína que você está consumindo. A falta de água na dieta de um lutador irá resultar em excesso de gás e má digestão da proteína que ele consome”. E a água não tem apenas função de limpeza no organismo. “Em grande quantidade, realmente estimula o organismo a produzir GH (hormônio do crescimento)”, completou a nutricionista.
Já na área dos suplementos propriamente ditos, um produto bastante útil no pré-treino é a maltodextrina. “Ela pode ser utilizada cerca de quinze minutos antes do treino para promover um adicional na energia sem picos de insulina ao atleta.”
Como os treinos de MMA normalmente são muito puxados (uma frase muito popular entre os lutadores diz que “treino difícil garante luta fácil”), a alimentação durante a atividade física também é importante. Gabriela explica:
“Procuramos sempre o equilíbrio entre água, eletrólitos e carboidratos, dependendo da intensidade do trabalho. A cada meia hora de treino, além da hidratação, deve-se ingerir de 30 a 60g (o que dá uma solução de 6 a 8%) de carboidrato de rápida absorção, que garante a menor depleção de glicogênio e, logo, melhora do desempenho. Nas atividades que ultrapassam 60 minutos, é recomendada também a utilização de eletrólitos como sódio e potássio.”
Ao final do treino, o cuidado é com a reposição de nutrientes. Gabriela gosta de indicar um shake de carboidratos de alto índice glicêmico (como dextrose) misturados com carboidratos de índice glicêmico moderado (como maltodextrina). “Esta união de carboidratos rápido e moderado otimiza a absorção dos nutrientes. Outra opção é, ao invés do carboidrato pós-treino, utilizar um triglicerídeo de cadeia média (TCM), por exemplo, o óleo de coco. Esta gordura promove rápida absorção e ainda tem a vantagem de manter os níveis altos de GH.”
Outro ponto importantíssimo na suplementação pós-treino é a proteína. Como é importante que a reposição seja feita do modo mais rápido, o whey protein (proteína do soro de leite) é o mais indicado. “Prefiro que seja usado whey hidrolisado, para que a absorção seja mais rápida”, explica a nutricionista. “O carboidrato do shake ou o TCM vai garantir que os músculos absorvam a carga de proteína para realizar a reparação e construção das fibras musculares desgastadas durante o treino.”
Para complementar a proteína na reparação das fibras musculares, os aminoácidos também entram no pós-treino. “Os BCAA (aminoácidos de cadeia ramificada) diminuem o catabolismo muscular, ou seja, diminuem a perda de massa magra, além de prevenir a fadiga”. E este não é o único suplemento para este fim, diz Gabriela. “A glutamina, além de garantir a imunidade do organismo, também tem ação anticatabólica. Este suplemento precisa ser utilizado pelos atletas, pois o estresse metabólico é tão grande que a imunidade fica debilitada. Após o treino, estes aminoácidos (glutamina e BCAA) encontram-se em baixos níveis, pois boa parte foi usada como fonte de energia.
Fechando o ciclo, temos a creatina, suplemento bastante utilizado para gerar energia de explosão, e os antioxidantes. “A produção grande de ATP (adenosina trifosfato) garante força para exercícios intensos. Um aliado da creatina é a beta-alanina, que potencializa seu efeito. As duas devem ser utilizadas juntas para otimizar o resultado da suplementação. Já antioxidantes como vitaminas C e E, selênio e betacaroteno são também importantes, pois, como os atletas estão em estresse metabólico e com muitas lesões, é necessária a utilização destes suplementos para minimizar estes efeitos.”

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