Envelhecimento, osteoporose e os benefícios da musculação



É interessante observar como ainda hoje muitas pessoas desconhecem a gravidade de uma doença que evolui silenciosamente. Falamos da “osteoporose”, uma doença óssea sistêmica, (generalizada a todo o esqueleto), que por si só não causa sintomas. É caracterizada por uma densidade mineral óssea (DMO) diminuída e alterações da microarquitetura e da resistência ósseas que causam aumento da fragilidade óssea e, consequentemente, aumento do risco de fraturas.
Se não for prevenida precocemente, ou se não for tratada, a perda de massa óssea vai aumentando progressivamente, de forma assintomática, sem manifestações, até à ocorrência de uma fratura.
Uma vez que o número de mulheres em risco de desenvolver osteoporose pós-menopáusica aumenta à medida que a população vai envelhecendo, é fundamental identificar de forma precoce e exata quais as que se encontram em risco de sofrer fraturas.
Estudo
Preocupada com a evolução da doença, muito em função do gradativo envelhecimento da população, a Fundação Internacional de Osteoporose (IOF) anunciou no final de maio/2012 um estudo que prevê um “aumento significativo” das fraturas e da incidência de osteoporose na América Latina.
Segundo dados da IOF, o número de casos de fratura de quadril no Brasil, atualmente de 121,7 mil ao ano, aumentará 32% até 2050, e esse salto será de 424% no México e de 85% na Argentina. O documento “Osteoporose na América Latina: epidemiologia, custos e relevância da osteoporose em 2012” reúne dados de 14 países da região e conclui que em 2050 serão registrados 6,3 milhões de fraturas no mundo todo, a metade delas na Ásia e América Latina.
O relatório prevê para a América Latina “um aumento significativo nos índices de fraturas estimados por causa de uma explosão na quantidade de pessoas em idade avançada nas próximas décadas”.
O texto ainda aponta que os baixos níveis socioeconômicos e as desigualdades entre o campo e a cidade dos países analisados causam o acesso limitado ao diagnóstico e ao tratamento. Além disso, mostra que há uma falta de dados epidemiológicos confiáveis sobre as o tema.
Evolução no Brasil
No país, 33% das mulheres sofre de osteoporose de fêmur ou espinho lombar depois da menopausa e três milhões de mulheres com mais de 50 anos tem fraturas nas vértebras. No entanto, a maioria delas não dispõe de diagnóstico da doença progressiva de perda de massa óssea e deterioração do esqueleto.
O professor José Zanchetta, em declaração à imprensa, relata que durante apresentação do relatório alertou que a osteoporose é a doença mais comum da mulher depois dos 50 anos e ressaltou que se a menopausa acontecer com menos de 44 anos, o risco se duplica. Já o doutor Bruno Muzzi Camargos explicou que a fratura de quadril nos idosos aumenta entre seis e oito meses o risco de morte.
Nesse sentido, os especialistas enfatizaram a necessidade de intensificar as campanhas de prevenção e do custo na qualidade de vida do paciente que tem a doença. É o que a matéria “Envelhecimento aumentará casos de osteoporose na América Latina” nos traz.
O chefe de pesquisa clínica de reumatologia do Hospital Heliópolis de São Paulo, Cristiano Augusto Zerbini disse que “a osteoporose e as fraturas são um problema de saúde pública no Brasil”.
Efeitos da musculação na velhice
Para estudar, acompanhar e conhecer melhor os efeitos da musculação na velhice, as faculdades de Educação Física e Desportos (Faefid) e de Fisioterapia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) desenvolvem, por meio de parceria, o projeto de pesquisa com interface em extensão Musculação e Qualidade de Vida.
O projeto tem como objetivos melhorar a qualidade de vida, socializar os voluntários, promover a saúde por meio da prática de exercício físico do tipo musculação, e monitorar os benefícios dessa atividade na prevenção e na reversão parcial de perdas funcionais decorrentes do envelhecimento e de doenças cardiovasculares em homens com mais de 50 anos são os objetivos do projeto.
Promovendo a socialização
A matéria “Pesquisa avalia benefícios da musculação no envelhecimento”, assinala que segundo informações da Faefid, quem chega à sala de musculação às segundas, quartas ou sextas-feiras pela manhã logo percebe um clima diferente, de amizade e empolgação dos participantes do projeto. Gabriela Alves Trevizani, supervisora do projeto confirma: “Eles estão sempre em contato, conversando sobre o que acontece com cada um, compartilhando suas dificuldades. Essa socialização também tem impacto na qualidade de vida”.
Talvez esse seja um dos maiores benefícios do projeto que reverbera positivamente no corpo e emocionalmente.
Segundo Gabriela, doutoranda em Engenharia Biomédica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e formada em Fisioterapia pela UFJF, já se sabe que o treinamento aeróbico, como caminhar, correr, nadar e andar de bicicleta., reduz a pressão arterial, ajuda no controle da glicemia, entre outros benefícios. Porém, quando se trata de musculação, o domínio é grande sobre seus efeitos na massa muscular e na massa óssea, já as variáveis do sistema cardiovascular ainda são pouco conhecidas com esse tipo de exercício físico.
Partindo de informações sobre os benefícios da musculação no envelhecimento, a pesquisadora quer potencializar e discriminar o uso dessa atividade. “Se encontrarmos resultados benéficos nesses exames, vamos divulgar essas melhorias para que as pessoas possam se prevenir praticando essa atividade em qualquer lugar.”
Orlando Simões, 75 anos, militar reformado e professor aposentado, é o mais velho da turma. Ele faz parte do projeto há quatro meses e já sente diferenças no dia a dia: “Melhora a forma de andar, de segurar peso, a postura e, apesar de eu não ter problema para dormir, sinto-me mais relaxado ao deitar. De forma geral, estou muito melhor.”
Programa Musculação e Qualidade de Vida
Na primeira fase são realizadas pesquisas, avaliações da pressão arterial, controle de frequência cardíaca, teste de carga, análises cardiovasculares, entre outros exames, para saber dos resultados da musculação nos participantes.
Na segunda fase, após um período de cerca de seis meses, o participante tem a opção de ficar apenas no projeto de extensão, no qual pode continuar a praticar os exercícios acompanhados de monitoramento, mas sem avaliações contínuas.
Condições para ser voluntário
Além de serem do sexo masculino e se encaixarem na faixa etária que a pesquisa visa estudar, os voluntários devem ser não fumantes, que não realizam atividade física há pelo menos seis meses e que não possuam contraindicação à prática de musculação, comprovada por meio de liberação médica.
É importante esclarecer que a pesquisa do projeto é desenvolvida apenas em homens por causa da desestabilização da mulher nessa mesma idade devido à menopausa, quando há uma diminuição de hormônios, que muitas vezes é tratada com reposição por remédios. Segundo Gabriela, esta é uma variável que poderia interferir na pesquisa, dificultando uma maior exatidão dos resultados.

FONTE: Portaldoenvelhecimento.org.br
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